24 de jun de 2015

Dia 14: Sinédoque, Nova Yorque (23 de março)

Hoje foi um dia bastante esquisito, e a companhia de Sinédoque, Nova York (Synecdoche, New York) não ajudou muito para que fosse diferente.  

Eu amo amo Charlie Kaufman como roteirista. O Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind, 2004) é um filme para a vida, a meu ver. Ele teve tanto impacto para mim que foi o tema do  meu primeiro artigo no mestrado. Eu o vi quatro vezes no cinema na mesma semana. Montauk no inverno é um destino que quero concretizar e um sentimento constante em minha imaginação. 

Apesar de toda essa admiração, não consegui me identificar com Sinédoque. Era como se estivéssemos em outra dimensão, e eu olhasse o filme de um ponto de vista totalmente alienígena, incapaz de sentir qualquer empatia. Eu conseguia identificar o que era dito, e qual o sentido de tudo que era apresentado de forma tão estranha. Mas quando me refiro a uma falta de identificação, vou além do sentido da história. Era algo diferente, para além do estranhamento. Eu compreendi a tese segundo a qual a arte é uma forma de evitar a morte, o esquecimento, como uma forma de se manter vivo apesar da falta de sentido do cotidiano... mas em momento algum eu conseguir sentir o que era retratado diante dos meus olhos.  

Como eu disse, foi um dia particularmente estranho. Eu não me sentia bem, e então decidi passar sem comer nada além de suco de melancia (que ideia...). Comecei a assistir ao filme por volta de uma da tarde. Parei para tirar um cochilo (quase uma noite de sono, com quatro horas de duração), e então voltei para o filme. Em determinado ponto, há um flashback de uma das primeiras cenas do filme, e eu fiquei espantada em como parecia algo que tinha visto há muito tempo, e não somente algumas horas antes. 

Nem o incrível Philip Seymour Hoffman foi capaz de fazer sentido para mim nesse filme. Como eu também já afirmei aqui, não consegui me identificar com nenhum aspecto nessa produção. Ela é inteligente como uma tese de doutorado, mas não possui alma, numa história que pretende contar sobre o sentido da vida.  

Um pensamento tardio (escrito no dia posterior à publicação original deste post): ontem, dois queridos amigos que amam cinema e o estudam e produzem disseram para mim como admiram esse filme. Eles me contaram suas razões, cada uma delas eu podia entender perfeitamente. O que eu não conseguia explicar foi minha forte aversão a essa história. E, pensando como eu não fui capaz de me identificar com nada no filme, eu me dei conta que, na verdade, não se tratava de indiferença de fato. Nas primeiras cenas, eu estava realmente com muita raiva com os personagens, especialmente Adele e Maria. Então, é possível dizer que há mais aspectos nessa minha aversão do que somente falta de empatia. Mas eu tenho certeza de que não o verei de novo tão cedo - ou nunca. 

http://onemovieadaywithamelie.blogspot.com.br/2015/03/day-fourteen-march-23.html


O escrutínio da vida por meio da arte.... às vezes pode ser maravilhoso e
a única forma possível... outras vezes, é absolutamente anticéptico.  

Sinédoque, Nova Yorque  (ynecdoche, New York)Dirigido 
e escrito por Charlie Kaufman.  Com: Philip Seymour Hoffman, 
Samantha Morton, Michelle Williams, Catherine Keener. 
EUA, 2008, 124 min., Dolby Digital/DTS, Color (DVD).



PS: Fragmentos: Harry e Sally: Feitos um para o outro (When Harry Met Sally, 1989); Psi (2014), uma série brasileira que realmente chamou minha atenção, mas da qual achei somente dois episódios. 

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