24 de jun de 2015

Dia 16: DeUsynlige (24 de março)

Há possibilidade de redenção ao se cometer um crime? Ao ser considerado uma má pessoa? Um criminoso? 

Erik Poppe, o diretor dinamarquês de Entre o Bem e o Mal, o filme do 12º dia deste desafio,  parece pensar que não existem pessoas boas ou más. Além de todos os esteriótipos - o bom padre, o criminoso ruim, a mãe zelosa - encontramos apenas seres humanos. 

Humanos que podem se ver diante de situações impossíveis. 

Depois de Entre o Bem e o Mal, fiquei curiosa a respeito de Poppe, e procurei por outros de seus filmes. Não foi tarefa fácil, mas o fabuloso escavador de filmes Rodrigo (também conhecido por ser um dos meus melhores amigos) encontrou outras duas produções de Poppe. E hoje, na hora do almoço, nós dois assistimos a UeUsynlige (Sem tradução em português, com o nome de Troubled Water em inglês). Ao final, nós olhamos um  para o outro e dissemos ao mesmo tempo: wow - balançando a cabeça diante do que tínhamos acabado de ver. E ouvir. 

Parte da história é contada por meio do som estrondoso de um órgão de igreja.  Um som que dominou meus sentimentos diante do filme, meus pensamentos, minha visão, e me disse de uma tristeza impronunciável. O som do órgão aqui conta sobre questões que tentamos explicar, julgar ou justificar, mas não somos capazes: a impossível futilidade da violência. 

Costumo considerar que realidades desafiadoras e tempos difíceis possibilitam o surgimento de uma arte contundente. Não sei se a sociedade nórdica é perturbada, mas os filmes produzidos nessa região são assim, e apresentam reflexões fundamentais sobre a vida atual para quem vive neste absurdo, ainda que maravilhoso, mundo. 

Close-ups distorcidos, vários flashbacks, música, o ponto de vista de dois diferentes personagens: todos esses elementos se reúnem para contar uma história sobre violência e os múltiplos aspectos que parecem conduzir à perda. Caminhamos pela narrativa de Poppe juntamente com as imagens e sons que ele apresenta. Somos guiados por cada detalhe da história até que nos vemos diante de um quebra-cabeças sem fim. Porque aquelas vidas, apesar de concluído o filme, não terminam. Nós as mantemos conosco em pensamentos, sensações, tentando encontrar um sentido para algo que não tem nenhuma explicação. 

Por fim, é importante destacar a autuação de Pål Sverre Hagen no papel de Jan Thomas. O seu rosto revela-nos muito, e os close-ups em suas expressões nos inserem na sua tristeza, culpa e necessidade de reparação que a sua história apresenta.  

http://onemovieadaywithamelie.blogspot.com/2015/03/day-sixteen-march-25.html

 DeUsynlige. Dirigido por Erik Poppe. Com: Pal  Sverre 
Hagen, Trine Dyrholm, Ellen Dorrit Petersen. Roteiro:
Harald Rosenlow Eeg. Noruega/Suécia/Alemanha, 
2008, 115 min., Dolby Digital, Color (DVD). 




PS: Fragmento: Ela (Her, 2013). Esse é um filme que eu já vi tantas vezes que perdi a conta... Mas eu não consigo não vê-lo quando cruzo com ele na TV. E a trilha sonora é linda. Emocionante. 

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